A Marina Alta que produz: o setor invisível que pode salvar a região da "monocultura" turística.
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A Marina Alta que produz: o setor invisível que pode salvar a região da "monocultura" turística.

Itsaso Aurrekoetxea Jover

Jornalista
Maio 30 da 2026 - 09: 11

A região de Marina Alta não se limita a servir refeições, construir casas, alugar apartamentos ou receber visitantes. Ela também produz. E o faz em discretos parques industriais, em oficinas membros da família, em oficinas onde são processados ​​metal, madeira e outros materiais. alimentaçãoArtigos de couro, vestuário, produtos químicos, máquinas ou produção agroindustrial. região associada a turismo Ela conserva, quase fora dos holofotes, uma pequena e pouco vista rede produtiva, mas com uma capacidade que a diagnóstico do projeto Indústria Ocupante Isso coloca no centro de uma questão sobre o futuro: Será que a indústria pode ajudar a equilibrar um economia excessivamente dependente do turismo e construção?

A conclusão do estudo não é triunfalista. A indústria da Marina Alta não é dominante, nem sequer se aproxima do peso que detém noutros territórios valencianos. Mas precisamente por essa razão, o diagnóstico é relevante, porque demonstra que a região tem uma base sólida. industrial de verdade, com empresas enraizado, emprego mais estável e necessidades de emprego concreto, enquanto ao redor deles crescem os ameaças usuaisFalta de terrenos, transporte público insuficiente, habitação cara, escassez de formação profissional industrial, transição geracional complexa e uma imagem social do trabalho fabril como preconceito.

El Projeto Indústria Ocupa, promovido por CREAMA e PACTE'MACom financiamento do Governo Regional Valenciano, através do LABORA, e do Ministério do Trabalho e da Economia Social, foi criado com uma tese clara: O setor não deve ser uma alternativa secundária, mas sim um estabilizador contra a sazonalidade do turismo..

Uma região presa na "monocultura" turística.

O relatório usa uma palavra incômoda para definir o modelo econômico dominante: "monocultura". Não porque... turismo não é importante, mas porque Seu peso determina quase todo o resto.Na região de Marina Alta, o setor de serviços representa a maior parte da atividade empresarial e de emprego. No quarto trimestre de 2025, o 75,62% das empresas da região pertencia a setor de serviços. A construção representou outro 17,25%. A indústria, por outro lado, mal alcançou o 5,25% do tecido empresarial: 373 empresas industriais contra 5.371 empresas de serviços.

Os dados de emprego apontam na mesma direção. O diagnóstico indica que o serviços representou o 77,5% das afiliações na região no quarto trimestre de 2025, enquanto a construção atingiu 15%. indústria ele permaneceu no 6,3%, bem abaixo da média provincial, que se situa em 11,6%.

Mas o cenário muda quando se considera a estabilidade. Enquanto o setor de serviços apresenta uma evolução mais dependente da temporada turística, o O setor praticamente não apresenta flutuações no número de empresas.Entre o quarto trimestre de 2024 e o quarto trimestre de 2025, o número de empresas variou de 365 a 373. É um setor pequeno, mas é mais consistente.E essa consistência é o argumento central do diagnóstico: em uma região marcada pelos altos e baixos da temporada, o setor oferece emprego durante todo o ano. especialização e uma oportunidade de diversificação.

O mapa da indústria regional

A atividade industrial da região de Marina Alta não está distribuída de forma uniforme. Sua presença cria um mapa que abrange o litoral, a faixa de altitude média e algumas áreas do interior.

Em termos absolutos, o A área costeira concentra 51%. das empresas industriais da região. Dénia Aparece como o município com o maior número de empresas industriais, com 96. É seguido por Xàbia, com 37; Pedreguer, com 36; Benissa, com 35; Ondara, com 25; Calp e Pego, com 23 cada; Teulada, com 20; Gata de Gorgos, com 18; El Verger, com 13; Beniarbeig, com 10; e Orba e Xaló, com 6 cada.

La zona intermediária É a que apresenta a maior intensidade industrial. Suas empresas industriais representam a 8,70% do tecido empresarial dessa área, acima da média regional. Pedreguer chega a 13,69%, Gata de Gorgos 11,76% e Orba 10,34%.O caso mais impressionante é BeniarbeigEmbora possua apenas 10 empresas industriais, estas representam a 14,93% do número total de empresas no município, apoiadas na área comercial de Les Hortes.

A região também possui 12 parques empresariais, que abrigam cerca de 585 empresas de diversos setores, espalhados por aproximadamente 2,37 milhões de metros quadrados. Estes incluem Madrigueres em Dénia, Les Galges em Pedreguer, La Pedrera em Benissa, Pla em Xàbia, os parques industriais de Pego, Marjals em Ondara, Hortes em Beniarbeig, o parque industrial de Teulada, Mosquera em Alcalalí e La Vía em El Verger.

O que produz a Marina Alta?

A indústria local não pertence a um único grupo, como acontece em outros territórios valencianos com calçados, têxteis, brinquedos ou cerâmica. A região de Marina Alta é mais fragmentada. Seu tecido econômico é composto principalmente por microempresas e PMEs, muitas delas familiares.com conhecimento acumulado ao longo de décadas.

O estudo identifica atividades ligadas a produtos metálicos, alimentos e madeira, mas também setores tradicionais como artigos de couro, têxteis, chapelaria e carpintaria. Complementam-se essas atividades empresas envolvidas em processamento químico, agroalimentar, metalurgia, confecção industrial de vestuário e produção sustentável.

O diagnóstico inclui entrevistas com empresas como a Asevi, Bodegas XalóMatias Pastor, Nou Metal, Miel Montgó, Carpinteria González, Costa Soler, Madibo e Sombreros Signes. Estes não são apenas nomes dentro da rede de produção; são exemplos de uma indústria que combina tradição, artesanato, adaptação e, em alguns casos, mercados que vão muito além da região.

É aí que surge uma das contradições. A região de Marina Alta possui empresas com potencial de crescimento, mas nem sempre apresenta as condições necessárias para que esse crescimento se mantenha na região..

O primeiro sinal de alerta: existem empregos, mas não há trabalhadores suficientes.

O relatório detecta um clara demanda por perfis técnicos e operacionais.As empresas precisam de pessoal para manutenção industrial, técnicos eletromecânicos, soldadores, caldeireiros, ferramenteiros, programadores de CLP, operadores de máquinas, especialistas em costura industrial, artigos de couro, carpintaria (metalúrgica e em madeira), enologia, agroindústria e ofícios tradicionais.

Não se trata apenas de falta de qualificações. As empresas insistem em deficiências básicas, como interpretação de projetos, matemática aplicada, uso de ferramentas digitais, conhecimento técnico básico e habilidades transferíveis. Mas também apontam para algo mais difícil de mensurar: atitude, comprometimento, pontualidade, autonomia e vontade de aprender.

Segundo o estudo, algumas empresas preferem formar pessoas do zero, caso encontrem candidatos realmente interessados. Outras recorrem a candidatos com mais de 45 ou 50 anos, por vezes vindos de outros setores, porque valorizam horários de trabalho estáveis ​​e demonstram maior comprometimento. A indústria está disposta a ensinar o ofício, mas não consegue, por si só, formar a próxima geração..

El o problema A situação piora no comércios tradicionaisA confecção de chapéus, o trabalho em couro, a carpintaria e a alfaiataria técnica exigem meses de treinamento interno. Em alguns casos, o treinamento de uma pessoa pode levar de seis a oito meses. Se essa pessoa sair da equipe, o investimento é perdido e, se ninguém mais se juntar à equipe, a expertise se torna obsoleta.

A grande questão: que tipo de região Marina Alta quer ser?

O diagnóstico de Industria Ocupa não retrata uma Marina Alta industrial versus uma Marina Alta turística. Isso sugere outra coisa.Uma região que precisa Diversifique se quiser reduzir as vulnerabilidades.O turismo continuará a ser motor Do ponto de vista econômico, a construção civil continuará sendo importante. Mas a questão é se a região de Marina Alta pode se dar ao luxo de ter sua indústria invisível, sem terrenos suficientes, transporte adequado, moradia acessível para os trabalhadores, formação profissional adaptada e renovação intergeracional.

Porque o que está em jogo não é apenas o futuro de alguns armazéns. É a capacidade da região de produzir, inovar, treinar e reter talentos. É a possibilidade de um jovem não precisar sair da região para aprender uma profissão técnica. É a de que uma empresa familiar não feche quando o trabalhador qualificado se aposentar. É a de que uma empresa em crescimento não precise procurar em outro lugar o que não consegue encontrar localmente.

A região de Marina Alta possui indústria manufatureira. Não é muita, é dispersa e enfrenta muitos obstáculos. Mas possui. E talvez aí, nesse setor que quase nunca recebe atenção, esteja uma das respostas mais importantes para o futuro econômico da região.

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